Às portas do inferno
E dei por mim às portas do inferno Comigo apenas trazia um punhal E a tola ideia de a alma testar Quantos demónios devia derrotar Lutar com qual inimigo mais fatal Para que merecesse teu amor terno ⸸ Brandia a lâmina tremeluzente Pela primeira gota de sangue lutei Seria este o heroísmo que pretendias Cercado por várias figuras sombrias Suas peles duras mal arranhei Saltavam lascas do gume insistente ⸸ Suas gargalhadas feriam meu ouvido Enquanto pela tua voz ansiava e buscava Doce remédio da tua aprovação Não reconheci loucura na minha acção Enquanto por entre garras avançava e manejava meu punhal carcomido ⸸ Governados por um beijo só teu Heróis erguem espadas sem igual Manchadas de sangue que secou Minha lâmina em bocados ficou E dei por mim perdido sem punhal Objecto único que tinha de meu ⸸ Faltou habilidade na minha mão Espada destruidora não empunhava Como as dos teus heróis afamada Coragem maior estaria fadada À fina lâmina que se quebrava Fora minha malograda convicção ⸸ Fechei os portões nas minhas costas E caí de joelhos no solo sem pejo Nunca te ouvi chamar pelo meu nome Um sinal teu teria saciado minha fome Teria implorado fosse teu desejo Estavam já minhas pernas dispostas ⸸ Regressado a casa persiste em mim Feitiço surpreendente e mais estranho Lançado por quem não me deve querer bem Quando ouço teu canto que de longe vem Traz consigo os risos de demónio profano Entre os quais minha alma contorce sem fim
Inspirado pelo mote lançado pela Maria Madalena Silva.


Olha, que giro! Acabaste por expandir o poema! :D
Obrigadaa, e mais uma vez, adoroo!!